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Barrox auto-retrato

nem sempre eu sei de tudo ou quase sempre não sei de nada
no meio da multidão grito em silêncio gritos de silêncio, enxergo através de luzes coloridas misturo emoções et sensações digitais tipo torquato andando pelo Rio luzes da cidade, dispersas palavras dissimuladas emoções o tempo num segundo, poema do gato, rock-balada todas as tardes chet baker Ipanema mariah mãe de gal a gente nas dunas da gal meu desejo ilusão tom jobim na mesa de bar.
corte pra cidade-turbilhão, décadas depois,
os locutores de rádio vociferam contra a surdez dos idiotas que guiam seus brinquedinhos metálicos arrogantemente falando idiotices nos celulares, vítimas ao mesmo tempo algozes das ‘modas’ e equívocos sensoriais. não me diga fernandopessoa que - até porque quero que certas insitutições se fodam - responderei machadodeassis brechtnianamente enlouquecidos in sonetos góticos na menina tatuada o corpo marcado city lights "onde andarás nessa tarde vazia?" nossas vidas tristes diluídas em alegrias na grande cidade, enquanto agora nossos olhares um tanto cansados nossos corpos, saudade da Vida que acordará amanhã antes do meio-dia, sou tua sou nua sou lua. andamos depressa pela rua augusta sarcófago dos tempos imemoriais às cinco da manhã o grito se repete, marcas de cigarro no corpo tatuado, em seu cabelo curto colorido ela me diz nietzsche, entregando-se my funny valentine just friends.
me fode me fode, ela também diz.
antes do sol nascer procuro recompor minhas sensações, a cidade que nunca adormece acorda de novo, poeta caetano caretano sanduíche com gosto de ontem, maquiagem, meus dias & noites táxis encostados nas calçadas e motoristas sonolentos esperando a cidade e seus habitantes acabarem de se foder para o dia recomeçar nos pardieiros do centro da cidade, cantos do amor (in)correspondido, libertação, respiração, meninas de doze anos seminuas em expressões esfomeadas INfelizes de bonecas no colo e sexo sujo com homens sem rosto e restos de comida jogados na cara.
nossos poemas - o seu, o meu - demarcam territórios, estabelecem a posse espiritual Amor feito o sal da terra, cheiro de mato na lembrança, quero sempre gritar estas vozes estas dores que alucinam estes gestos inertes estes bichos de olhos brilhantes que não morrem.
ferlinghetti chuta a porta do quarto de hotel barato berrando no meio da noite, quem são estes amores desamores? onde aquela menina em retalhos de roupas rasgadas? e de fome atávica onde as tempestades cósmicas.
enquanto ligia bebe o vinho tinto e me diz blue note albamariseyalberoni trocam versos et milestones em velocidade lilian de frases incandescentes e jorram raios de luar doces palavras de cris e descompassos reconstruídos, cenas de jean-luc godard - onde estão as fotografias? - preto&branco in color ravel soy loco por ti américa soy despudoradamente loco por ti mujer, desordem do caos que dança na avenida corrientes e coreografa sobre o arco do triunfo movimentos corporais em outro continente compassos caóticos, cabelo descolorido, pele clara, estendendo-se a madrugada delineada pelas luzes da cidade e pelo movimento de saltos altos e vestidos curtos na calçada da avenida são joão para que se possam compartilhar as orgias, o copo de bebida, as vidas vividas, os credos, as orações, soy loco por ti e eu sei que você sabe café expresso no jardim da luz acarajé batuque ancestral negra linda reluzente corpo nu bossa nova Êxtases pés descalços madrugada,
um dia.
Escrito por Eduardo Barrox às 10:27:13 PM
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